Julio Bin: O que a competitividade tem a ver com a sustentabilidade?

This article below is in both English and Portuguese.  Please scroll down for the English.

Julio Bin is Brazilian and is Consultant, Professor and Speaker in the areas of sustainability and sustainable business development. He has been working towards the New (green) Economy for over 12 years, helping organizations to deal with key issues within their commercial and strategic model while embedding sustainability into their practices. Bachelor of Business Administration by Makenzie University/Sao Paulo, Post Graduate in Marketing by Westminster University/London and Sustainable Business by the Cambridge Programme for Sustainability Leadership/Cambridge. juliobin@gecko.com.br | http://br.linkedin.com/in/juliobin

Competitividade vs. Sustentabilidade

Afinal, o que a competitividade tem a ver com a sustentabilidade?

Acredite você já sabe a resposta, mas vamos juntos refletir sobre os dois conceitos antes de chegar a uma conclusão. A competitividade definitivamente está implícita em nosso dia-a-dia. Significa competir, a busca simultânea de dois ou mais indivíduos por uma vantagem, uma vitória, um prêmio, uma colocação bem-sucedida. E, sendo assim, a competitividade está presente tanto no trabalho, nos estudos, na carreira, como também nos esportes, no trânsito, no amor, na família, enfim, nas atividades mais corriqueiras de nossa existência. A competição faz parte da sobrevivência do homem desde seus primórdios e geneticamente faz parte da natureza humana.

Seja nas grandes cidades ou nos pequenos e pacatos vilarejos, inevitavelmente a competição está presente no vocabulário de qualquer comunidade e muitas vezes disfarçada por outros substantivos que amenizam ou intensificam sua percepção. Ser competitivo é uma condição natural que varia somente no grau de intensidade e na forma.

O que temos visto, na chamada sociedade moderna, é uma busca frenética e muitas vezes exagerada para se conseguir o destaque diferencial. O evento da globalização provocou também uma “evolução” do conceito de ser competitivo onde, do lado humano, vemos pessoas buscando a qualquer custo, uma vantagem própria mesmo que signifique a desvantagem para tantos outros. Num conhecido jargão brasileiro, este benefício individual em detrimento do todo ganhou até uma lei na voz do povo, a “lei de Gerson”.

Para esclarecer aos mais jovens, Gerson foi o personagem de uma campanha publicitária para vender cigarros na década de 70, que gostava de levar vantagem em tudo, afinal, ele era um brasileiro esperto, certo? Errado. Infelizmente hoje temos milhões de “Gersons” espalhados pelo Brasil, transformando atitudes politicamente incorretas em cultura nacional. Aqui sim, temos um exemplo de competitividade pessoal levada a um perigoso extremo.

No lado das organizações, a competitividade teria outra definição caso estas não fossem geridas por pessoas. O diferencial competitivo de uma organização depende das características de seus produtos e serviços e do cenário econômico, mas vai necessariamente depender do modelo de gestão traçado pelas pessoas que as dirigem.

E é aqui que entra a sustentabilidade.

O desenvolvimento pessoal e/ou econômico não pode estar atrelado a uma conduta predatória e antiética, caso contrário, estará levando esta “competição” a níveis indesejáveis.  A diferença básica entre sustentabilidade e competitividade está na atitude do individuo. É preciso acreditar na mudança do que parece ser um paradigma e, para isto, cada pessoa precisa entender o importante papel que desempenha na transformação de uma sociedade.

Temos diariamente exemplos do que não deve ser feito. Já sabemos o que constrói e o que destrói. Entendemos na essência o que é certo e o que é errado e necessitamos praticar a competitividade sustentável que, apesar de parecer complicada, é mais simples do que se imagina. Com pequenas ações corriqueiras, devemos exercitar o correto e servir de exemplo no mínimo para nós mesmos. É preciso refletir sobre o que nos leva a fazer e deixar que façam pequenos furos em nosso barco, mesmo sabendo que estamos numa tempestade em alto mar.

Uma constante autocrítica é necessária para focar no que é possível melhorar em nossas atitudes, pois a existência de grandes delitos éticos e morais em nossa sociedade, não podem justificar os “inofensivos” delitos do cotidiano. Enganamos-nos ao esquecer que o todo é composto de pequenas partes. Nossas crianças e jovens aprendem da convivência social, da cidadania e se espelham em seus pais, assim como a comunidade é um reflexo de seus lideres.

Serão os pequenos e positivos atos individuais que se transformarão num grande movimento de mobilização e conscientização sobre o poder que temos de nos adaptar a esta nova realidade. Uma realidade que pode e deve ser competitiva, mas não predatória e egoísta, afinal, de nada adianta chegarmos vitoriosos ao final desta competição sem os outros competidores e, pior, sem público algum para celebrar.

Competitiveness vs. Sustainability

After all, what has competitiveness got to do with sustainability?

Actually you already know the answer, but let’s think these two concepts over before jumping to conclusions. Competitiveness is certainly part of our daily lives. It means contending; two or more individuals in simultaneous pursuit of an advantage, a victory, a prize, success.  As such, competitiveness is found not only at school, at work or in our careers, but also in the traffic, sports, love and family.  In fact, competition is in the most trivial of life’s activities and it has been a vital human survival instinct from the very beginning and is genetically part of human nature.

Whether in a big city or a small quiet village, competition inevitably crops up in the vocabulary of every community and is often disguised as other nouns that give a weaker or more forceful connotation. To be competitive is a natural state that varies only in degree of intensity and form.

What we have seen in our so-called modern society, is a frantic and often exaggerated race to reach the top. Globalisation has also led to an evolution of the concept of competing, in which, on the human side, we see individuals trying at any price to gain an advantage for themselves even if it means trampling on so many others. There is even a popular Brazilian term for this personal gain at the cost of the common good: A lei de Gerson (Gerson’s law).

For those who are too young to remember or non-Brazilian, Gerson was the name of a character in a cigarette advertising campaign in the 1970’s who always wanted to come out on top and take advantage of everything and everyone, after all, he was a smart guy, right?  Wrong. Unfortunately, today there are millions of “Gersons” all over the country confusing this smartness with a manipulative and misleading attitude in the name of competitiveness.

Personal competitiveness is taken to a dangerous extreme when unethical attitudes become acceptable in order to succeed. This is also a reflexion of a very competitive environment where personal values are shaped by the values of an unsustainable economic model in which growth is measured by quantity not quality and suggests that the sum of everyone´s selfishness equals social wellbeing.

As for organisations, competitiveness would be defined otherwise were it not for the fact that they are managed by people. The competitive edge of a company depends on the features of their products and services and on the economic environment, but it also depends on the managing model laid down by the people who run the business.

This is where sustainability comes in.

Personal or economic development cannot be linked to predatory and unprincipled conduct; otherwise, it will raise “competition” to undesirable levels. The basic difference between sustainability and competitiveness is in the attitude of the individual.  It is necessary to believe in the change of what seems to be a paradigm, and to do so, each one of us must understand the important role everyone plays in the transformation of our society.

We have to believe in what we already know. We know what is constructive and what is destructive. We understand the principles of right and wrong and we need to practise sustainable competitiveness, which, although it might seem complicated, is much simpler than we imagine. Within the smallest of daily tasks, we must exercise our citizenship and do what is right, becoming an example to others if only to ourselves. Analogically speaking, it is necessary to think about the small imperceptible holes we are making on our own boat.

Constant self-criticism is required to focus on what we can improve in our attitudes.  The fact that great ethical and moral offences are committed in our society, does not justify our “harmless” day to day slip-ups.  We are fooling ourselves by forgetting that the whole is made up of small parts.  Our children learn from social interaction, from nationalism or the lack of it, and mirror themselves on their parents just as the community is a reflection of its leaders.

It is small positive individual actions that will lead to a necessary mobilisation towards the awareness of the power we have to adapt to a new reality – a reality that can and must be competitive but cannot be predatory and destructive. At the end of the day, there is not much point being a winner in this competition if there are no other competitors and no one else to celebrate it.

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