Cidades em Transição: Um modelo sustentável para as comunidades

Cidades em Transição: Um modelo sustentável para as comunidades

Em 2004, Rob Hopkins, um professor de permacultura, juntamente com seu amigo Naresh Giangrande iniciou o desenvolvimento de um novo conceito, o chamado “Transition Town”, na cidade inglesa de Totnes, local de residência de Rob. Rob e Naresh dedicaram mais de um ano envolvendo e mobilizando a população local sobre as questões relacionadas com a crise energética e a mudança climática. Também, envolveram professores e renomados pensadores do Schumacher College, importante instituto de ensino de sustentabilidade localizado também em Totnes.

A primeira cidade em transição, Totnes/Foto: Wikipedia

Destes debates promovidos, sessões interativas e educativas, após esse período a comunidade já estava apta a sugerir e contribuir com ideias de como fazer a transição de uma realidade de elevado consumo de energia para um estado mais sustentável. Em 2006, o Transition Town Totnes foi formalmente lançado como um movimento.

O conceito de Transition Town está baseado na crença de que as melhores soluções veem não de um governo que está distante da população, mas da própria comunidade. Seguindo o sucesso de Totnes, Rob estruturou sua metodologia que está sendo implementada por milhares de outras comunidades ao redor do mundo.

A metodologia se fundamenta basicamente em seis princípios:

  • Visão – Criação de visões positivas do futuro que podem mobilizar a comunidade;
  • Inclusão – Desenvolvimento de diálogo com toda a comunidade;
  • Tomada de consciência – Desenvolvimento de conhecimento a respeito das questões e particularidades da própria comunidade;
  • Resiliência – Construção de comunidades resilientes, que estejam preparadas para enfrentar choques e mudanças;
  • Envolvimento emocional e afetivo – Apoio às pessoas na superação do senso de impotência para a mudança e isolamento;
  • Criação de soluções críveis e adequadas – Desenvolvimento de soluções que sejam factíveis e propostas pela própria comunidade.

Desde seu lançamento, Transition Town Totnes já desenvolveu trinta projetos relacionados com outras áreas de interesse da comunidade, como transporte, educação, saúde e alimentação.

Em 2007, foi lançada a rede de apoio intitulada “UK charity Transition Network” para ajudar outras cidades e comunidades a desenvolverem a metodologia e, desde então, o movimento vem se expandindo rapidamente de forma viral e global, sendo contabilizadas oficialmente 382 iniciativas e 458 em desenvolvimento, em 34 países.

Um indicador chave de sucesso é o número de governos locais e executivos que passaram a se envolver com o movimento. Outro fato marcante é que o livro “Transition Towns handbook” foi o mais lido pelos representantes do parlamento britânico no verão passado.

Uma experiência bem sucedida no Brasil

Nesse movimento de expansão do Transition Town pelo mundo o Brasil foi um dos países a adotar e implementar essa ideia. Ganhando contornos específicos e relativos aos problemas do país como, necessidade de inclusão social, violência, desemprego, o movimento no Brasil já alcança vários estados. Uma das mais bem sucedidas histórias de Transition Brasil localiza-se em São Paulo, na grande favela da Brasilândia.

Um trabalho estruturado, baseado nos passos e princípios do Transition Town foi implementado e após pouco tempo soluções foram desenvolvidas e os resultados já apareceram. Indicadores como violência sofreram forte redução a partir de soluções práticas provenientes da própria comunidade.

Considerando-se as imensas dimensões geográficas do país, suas especificidades de cultura e de características, além das questões sociais não menos relevantes, a metodologia do Transition Town se configura como uma solução prática e simples, que pode ser aplicada em qualquer contexto, gerando motivação e envolvimento de todos na comunidade.

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/outubro/um-modelo-sustentavel-para-as-comunidades

Artigo assinado por:

Maria Auxiliadora Moraes Amiden, Economista, especialista em Economia da Felicidade, Diretora de Educação da Symnetics e editora do blog Transition Happiness;

Simon Robinson, professor de Caos, Complexidade e Sustentabilidade e editor do blog Transition Consciousness.

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