Entrevista com Satish Kumar que chega ao Brasil em agosto de 2011

Satish Kumar é um dos mais importantes nomes em sustentabilidade no mundo hoje. Estou realmente muito feliz que ele tenha aceito meu convite para ser o keynote speaker no evento Strategy Execution Summit, que estou organizando e que ocorrerá em agosto de 2011. Reconhecendo a importância da vinda de Satish para o Brasil, ele foi entrevistado recentemente pelo jornal Valor Econômico. Abaixo segue a repostagem na íntegra.

Satish Kumar

Há 20 anos, o cientista inglês James Lovelock dava o primeiro curso do Schumacher College sobre a Teoria de Gaia, segundo a qual o planeta Terra é um ser vivo capaz de se autorregular. O prédio da escola, com mais de 600 anos, fica onde era a antiga sede dos correios da cidade e se assemelha a um pequeno castelo de pedras no meio de árvores gigantes e centenárias. A sensação é de algo que resiste ao tempo.

Em seu entorno, um jardim imita uma floresta natural com árvores, flores e diversas espécies comestíveis utilizadas pela cozinha da escola. Estudantes, voluntários e professores residentes formam uma comunidade na qual todos têm suas tarefas. É um exemplo prático de uma comunidade quase resiliente, conceito trabalhado pelo colégio.

“Aqui, no lugar de sustentabilidade, costumamos falar em resiliência, que é a capacidade de um organismo resistir a choques externos sem ser destruído”, ensina Satish Kumar, um dos fundadores da escola. “Uma comunidade resiliente é aquela que precisa de pouco combustível fóssil, que fomenta o comércio local, usa material da região para as construções e cuja economia não depende tanto de importação de outros países”, diz.

Com seus 75 anos, Kumar é quem está por trás da criação da escola. Nascido no Rajastão, na Índia, ele está sempre sorrindo e disposto a ensinar. Na adolescência, foi monge. Fugiu do monastério ao ler sobre as ideias de Mahatma Gandhi que dizia que a espiritualidade deveria ser praticada pelo homem na política, nas relações sociais e no dia-a-dia. No final dos anos 1960, fez uma caminhada pela paz que durou mais de dois anos, passando por quatro países que detinham a tecnologia da bomba atômica, União Soviética, França, Inglaterra e Estados Unidos.

A caminhada foi relatada em seu livro “No Destination”, (“Sem Destino”) editado pela Green Books. Kumar divide as tarefas do Schumacher College com o cargo de editor da revista “Resurgence”, uma das principais vozes do movimento verde europeu.

“Criamos uma escola que leva em conta a criatividade, subjetividade, beleza e imaginação, que são recursos necessários para resgatar os valores que o mundo perdeu”, diz Kumar. “Nossa missão é inspirar pessoas para mudanças positivas”.

A filosofia do “pequeno é belo” tem sido o norte de suas atividades e ainda hoje é o caminho na construção de comunidades mais resilientes. Kumar acredita que “a melhor forma de resolver um problema global é agindo de forma local”. É simples: “Tem gente que quer salvar o mundo, mas ainda não aprendeu a cuidar de si mesmo. Se alimenta de forma errada e vive estressado. O cuidado com o mundo, começa em cada um”.

Tanto é verdade que no Schumacher a cozinha é parte fundamental da escola e do processo de aprendizagem. A refeição vegetariana, orgânica e saudável é preparada por chefs experientes com a ajuda dos alunos e é servida diariamente para uma média de 50 pessoas, entre estudantes e funcionários. O que sobra é transformado em adubo, tarefa que também cabe a quem está lá.

Apesar de estar localizado na Inglaterra e ter características ocidentais – como possuir um pub dentro do prédio -, o Schumacher College tem um forte toque da cultura indiana, com aula de ioga e meditação.

A falta de hierarquia entre as pessoas e divisão de serviços é fruto de sua convicção de que dentro de uma sociedade ninguém é mais importante do que o outro. “O que o presidente pode fazer para uma pessoa que está doente? Ou o que o engenheiro poderia fazer por nós quando estamos com fome?”, questiona. A autenticidade dos conceitos vividos na escola mexe de forma muito profunda com os seus integrantes.

“Vivemos numa sociedade que nos ensina a ser materialistas, a querer o melhor carro e o celular mais novo. Não somos incentivados a pensar que todas as pessoas têm a mesma importância”, conta Ricardo Mastroti, gerente corporativo de sustentabilidade da InterCement, área de cimento da Camargo Corrêa. “Ali, tudo é colocado em prática. É verdadeiro”.

Para Mastroti, em tempos de mudanças climáticas, o conceito de resiliência pode ser um novo norte para as empresas. “A palavra sustentabilidade é maravilhosa. Pela primeira vez, a noção de tempo e das novas gerações são incluídas na forma de fazer negócios. Mas resiliência requer mudanças no modo operante. É encontrar soluções integrais mais harmônicas e conectadas com o ambiente.”

Mastroti gosta de citar o exemplo de uma empresa que faz cimento com o CO2 captado de uma termelétrica e misturado com água do oceano. “É um processo muito mais integrado com a natureza. Evita uma logística complexa que depende de diversos fatores externos como mineração, aquecimento do forno, transporte, etc. Ou seja, é mais resiliente”, afirma Mastroit.

Este ano, a escola lança o novo curso de mestrado “Economia para Transição”, que trata de formas para criar um novo sistema econômico compatível com a ideia de comunidades com baixo consumo de carbono e mais resilientes. Economia é também um novo desafio para a própria escola. Com o objetivo de aumentar os lucros, até 2015 outros dois cursos de pós-graduação serão criados. Isso sem perder de vista a ideia de permanecer pequeno e belo. Satish Kumar vem ao Brasil em agosto deste ano como palestrante de conferência realizada pela Symnetics, Strategy Execution Summit. (G.P.)

Se você estiver interessado em saber mais sobre o Strategy Execution Summit e ter a oportunidade de conhecer Satish pessoalmente clique no banner abaixo.

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